quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Desembarque

Viajei olhando as luzes que os carros têm. Vi até um caminhão cheio delas, parecia outra coisa, um inseto-máquina, ou dessas coisas tecnológicas de forma orgânica. Caminhão high tech, quem diria? Caminhão, aquela lata velha pesada e lenta, comprida que dói passando pela balança.
Vi as luzes da estrada, das tartarugas e dos reflexos das placas.
Vi muitas coisas. Li até. Um trechinho de Londres me veio à mente, e da guerra também. Uma mãe perdeu o filho, e nunca mais pude dormir. Aos poucos vi a aurora florescer cinzenta, nesse céu alegre de porto.
Alegre-se Bruno. Apesar da chuva(no começo pouca e depois muita) está quente.
Desembarque nesse porto anda triste. Mesmo com luzes noturnas. Até porque é Natal.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

cerveja ruim

Parecia aquelas balinhas de Harry Potter que tem todos os sabores.
É, então, peguei cerveja choca.

dancefloor

It's a sweet colored scent, estilo begônia em preto branco, filme de alto contraste, poucos cinzas.
Olhar de gato tentando ser guepardo, e as linhas muito bem traçadas, pêlos quase eriçados. Peguei a câmera bem velha. Fotografei o mosaico de luz no parque, In motion I mean, Cinematografia, diria a acadêmia. Muito branco um pássaro pálido os galhos verdes misturados, das flores, só rosas perto do meu quero-ser-guepardo ronronando, pede por abraços.
Noite de luzes verdes, Margarida, thin glasses, algumas delas vermelhas, brown bottles, ou se mexem ou são fracas sobre a mesa, finests brands, dance flor, dance Daisy. Dos sapatos não lembro, apesar da insistência.
Cabelo vermelho, óculos brancos, ombros nus, biquini azul e detalhes pretos. Alguma tarde de dezembro, não lembro se o mar era gelado, ou se o frio era do vento. Gato não desperta da canga violeta. No céu uma cor indecisa muda lenta. Muda. O gato de mesma cor dourada da areia, caminha até à beira, vejo a água molhar as patinhas. Não vejo, só há mar. Engolido naquela imensidão azul com manchas verdes. Quando sai da água, coração explode o peito. Guepardo me olha como um lobo do mar. É um delírio perfeito.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

falta algo

dias de sol de rachar a testa.
a maior chuva do ano, com direito a raios bem pertinhos.
fotos em pb.
brigas com a sony.
luzes de natal.
panquecas com alçafrão.
dieta.

verão is coming em foolpower.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

segundo elemento químico mais abundante no universo

Romeu chorou um bocado. O choro sempre baixo e contido que ele costuma ter. Ali pertinho havia balões, resolvi que um de hélio poderia alegrar Romeu. Amarrei o barbante em seu pulso, enquanto ele ainda se ocupava de sua própria tristeza. Aos poucos o balão subiu, Romeu observou atento. Recomeçamos uma leve caminhada, não havia movimento pela rua. Romeu parou de andar, segurava muito forte o barbante. Agachei para estabelecer de forma mais fácil uma coversa, olhar Romeu de frente. Achei que ele iria começar a chorar. E me surpreendeu ao falar com firmeza e auto-controle. Primeiro disse que o dia estava bonito e que foi bom sair de casa. Mas eu pensei que o Mike gostaria de estar aqui, continuou, e fiquei triste por ter me esquecido dele. Sentou, e eu peguei ele no colo. Recomecei a caminhar estranhando esse dia de sol sem movimento. Romeu estava agora com cabeça ao lado da minha e cochichou baixinho. Deixei toda minha tristeza no balão, e ia pedir pro Mike fazer o mesmo. Daí as nossas tristezas iriam juntas para o céu, aí eu parei. E se o balão ficar pesado demais? Olhei nos olhos de Romeu. Se ele não voar, eu levo ele de carro pra bem longe.
Romeu entrou correndo em casa para pegar Mike, amarrou o barbante no pulso do bichinho. E ficou ali parado de mãos dadas com Mike.
Liguei para Alice, ela perguntou se tinha acontecido alguma coisa. Eu fiquei em silêncio. Alô, alô. Não, não aconteceu nada. Foi só... O Romeu não te assusta às vezes? Alice ficou quieta, mas ouvi que ela chorou. Bem baixinho. Romeu veio correndo para soltar o balão. Eu tirei o barbante e amarrei no meu pulso. Romeu sorriu. Romeu sorri, avisei Alice. Ela chorou um pouco mais alto, então avisei que já estava levando ele.
O balão nos acompanhou até a casa de Alice. Fiquei com o balão na mão, assistindo ao Romeu correr pelo gramado da casa da sua mãe. Soltei. Romeu e Alice, balão voou. Romeu sorria. Parecia tão leve que flutuou até o chão, Alice deitou ao lado dele. Quis deitar ao lado de Alice, mas me ajoelhei ao lado de Romeu, ele me abraçou, e Alice me convidou para entrar. Por algum motivo respondi que não.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

e se alguém morresse

Vi, quando cheguei à porta, que Romeu havia deixado Mike sentado na poltrona vermelha. A televisão ligada para Mike assistir, enquanto Romeu se ocupava com alguma coisa no chão, impossível de enxergar. Mike sempre teve algo de muito triste, eu diria até demais para um bichinho de pelúcia. Romeu, vamos. Abri a porta, Romeu saiu correndo para chamar o elevador. Mike me lembrou Sabrina pela tristeza, a solidão da televisão ligada para preencher o vazio da sala, ou talvez fosse o contraste do veludo vermelho e branco da pelúcia, aquela pele que eu me recordava como muito branca.
No carro Romeu me perguntou porque eu estava vestido de preto. Você detesta preto. Sim, eu detesto, mas é uma questão de educação. Alguém morreu, e seria deselegante não usar roupas neutras. Tenho certeza que ele ficou se perguntando o porquê de ele estar usando uma blusa amarela com estampas coloridas. Acrescentei para acalmar Romeu: você não vai ao funeral. Ainda bem, seria deselegante, não é?
Deixei Romeu com a mãe dele, antes de sair do carro ele me perguntou por que eu não levei o Mike ao funeral, ele gosta dessas coisas tristes.
Não respondi. Às vezes não sei responder as perguntas de Romeu.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

olhei fundo, o mar me chamou

Ardor, nuca nua sob o sol.
vestido freme um delírio de ser flâmula
Fogo não, chama
o vento frio fluindo com a sombra,
minha réplica imaginada pelo sol:
um metro e meio suspenso na areia
sem peso, pena.
Sair do sol seria o convite marítimo,
se a sombra a maré alcançar
Alçar vôo em vento pleno,
planando o
tecido, um
plano de fuga: lançado ao ar o vestido.
Vestígio na areia de
um corpo engolido.

sábado, 10 de outubro de 2009

.

Hoje eu tirei o pó,
pó saiu, pó grudou, pó voou.
Pano úmido, cheiro de limpeza em produtos aquosos
em gel, ou pastosos, tipo xampu.
Tirei o pó com um pano na ponta do pé.
Pó ficou, tirei de novo,
pano com pó. Arasta o pó pra pá,
varredura completa do chão.
Pó no ar.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

MarcVas

Há algo de fulvo em Emevê.
Uma coisa cor de fogo que se prolifera.
Fogo-semente queimando aos poucos toda árvore-floresta.
Majestoso. Sentado na poltrona feita com madeira-de-lei.
Maneira-de-rei olhar o bobo. E me vê?
Ali. Encantado.
Reis possuem bobos na corte por puro décife de atenção. Amigo bobo do rei.
Bobo do rei?
Rei bobo.


sábado, 26 de setembro de 2009

Vantagens do cedinho.

Eu reclamei. Praguejei até. Que história era aquela? Tão tarde que já era e teria que ser bem cedo, cedinho, no escuro, antes do dia, antes do sol, antes de tudo. Naquela que é a hora apreciada pelos pássaros, e pelas galinhas ou galos. Ou por todos aqueles que cantam. Logo antes do sol nascer, ter que acordar, como num tempo distante.
Depois de sair pela porta, andando com um sapato desconfortável pelo seu excesso de de espaço, já estava claro. Não via o sol, mas a aurora, ou muitas luzes que lembram o crepúsculo do outro lado do céu. Não é triste que o céu-norte nunca tenha essas luzes vermelhas-nacaradas ou roxas-alaranjadas? O encontro de manhã com o leste-céu colorido foi como acordar num tempo distante.
Esqueci como era lindo o amanhecer da trindade. Mais de dez anos sem ver aquelas luzes, e se elas tivesse no céu-norte, o passeio seria outro, acho que mais triste. É lindo, apesar do número crescente de prédios-muito-altos que atrapalham o céu.
Caminhando pela lauro, eu não conseguia entender o porquê de se reclamar tanto ao acordar cedo, com os pássaros. Cedinho.


Ps: 2009 tem sido um ano antigo...

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Qual era o meu forte mesmo?

Hoje, caminhando à noite no centro, vi um menino de costas. Estava lá, distante, caminhando também, quando me lembrou alguém. Na verdade foi num pensamento certo: "Olha, é ele. Ele quem?". Você, que de tão perto nunca pude ver. Um desconhecido caminhando, e pensei que era você, te reconheci em traços longuínquos de um outro qualquer. Queria que fosse você. Dei-me conta de que te reconhecia, seguido da constatação de um não-poderia-ser, acrescido do desejo de você alí, distante, deslocado em mais de três mil quilômetros, tão perto de mim. A vontade de ti era repentina, e tanta intensidade senti teu cheiro, que não era cheiro algum. Era o cheiro da sensação de sentir teu cheiro, te sentir. Tão suave que bastou milésimos de segundos, e eu já não podia nem lembrar de como era sentir, ou como te imaginei como cheiro. Memória olfativa nunca foi meu forte.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Claridade

I vi o sol.
Era noite, calor nas mãos.
Quando a esquerda foi abandonada: insegurança.
Medo da noite fria, solidão tão forte, mas logo me junto ao fogo, quase à terra.
É minha imagem da noite, clara como a luz de um sol que me fascina.
Não vi a lua i vi o sol, lá, sim