quarta-feira, 30 de setembro de 2009

MarcVas

Há algo de fulvo em Emevê.
Uma coisa cor de fogo que se prolifera.
Fogo-semente queimando aos poucos toda árvore-floresta.
Majestoso. Sentado na poltrona feita com madeira-de-lei.
Maneira-de-rei olhar o bobo. E me vê?
Ali. Encantado.
Reis possuem bobos na corte por puro décife de atenção. Amigo bobo do rei.
Bobo do rei?
Rei bobo.


sábado, 26 de setembro de 2009

Vantagens do cedinho.

Eu reclamei. Praguejei até. Que história era aquela? Tão tarde que já era e teria que ser bem cedo, cedinho, no escuro, antes do dia, antes do sol, antes de tudo. Naquela que é a hora apreciada pelos pássaros, e pelas galinhas ou galos. Ou por todos aqueles que cantam. Logo antes do sol nascer, ter que acordar, como num tempo distante.
Depois de sair pela porta, andando com um sapato desconfortável pelo seu excesso de de espaço, já estava claro. Não via o sol, mas a aurora, ou muitas luzes que lembram o crepúsculo do outro lado do céu. Não é triste que o céu-norte nunca tenha essas luzes vermelhas-nacaradas ou roxas-alaranjadas? O encontro de manhã com o leste-céu colorido foi como acordar num tempo distante.
Esqueci como era lindo o amanhecer da trindade. Mais de dez anos sem ver aquelas luzes, e se elas tivesse no céu-norte, o passeio seria outro, acho que mais triste. É lindo, apesar do número crescente de prédios-muito-altos que atrapalham o céu.
Caminhando pela lauro, eu não conseguia entender o porquê de se reclamar tanto ao acordar cedo, com os pássaros. Cedinho.


Ps: 2009 tem sido um ano antigo...

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Qual era o meu forte mesmo?

Hoje, caminhando à noite no centro, vi um menino de costas. Estava lá, distante, caminhando também, quando me lembrou alguém. Na verdade foi num pensamento certo: "Olha, é ele. Ele quem?". Você, que de tão perto nunca pude ver. Um desconhecido caminhando, e pensei que era você, te reconheci em traços longuínquos de um outro qualquer. Queria que fosse você. Dei-me conta de que te reconhecia, seguido da constatação de um não-poderia-ser, acrescido do desejo de você alí, distante, deslocado em mais de três mil quilômetros, tão perto de mim. A vontade de ti era repentina, e tanta intensidade senti teu cheiro, que não era cheiro algum. Era o cheiro da sensação de sentir teu cheiro, te sentir. Tão suave que bastou milésimos de segundos, e eu já não podia nem lembrar de como era sentir, ou como te imaginei como cheiro. Memória olfativa nunca foi meu forte.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Claridade

I vi o sol.
Era noite, calor nas mãos.
Quando a esquerda foi abandonada: insegurança.
Medo da noite fria, solidão tão forte, mas logo me junto ao fogo, quase à terra.
É minha imagem da noite, clara como a luz de um sol que me fascina.
Não vi a lua i vi o sol, lá, sim