quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

no café perto do almoço

Na mesa ao lado tinha um casal de velhinhos comendo cheeseburgueres. Cheeseburgueres? Sim, é estranho, mas eu presto atenção em detalhes. A velha senhora tinha aparência de algo que é incomum às pessoas de sua idade. Ela fazia gestos pequenos, calculados e precisos, atenta para não errar a etiqueta. O velho senhor parecia ter alzheimer, pois repetiu diversas vezes com muita convicção e bom humor que já havia comido x-burguer. Talvez ele havia comido x-burgueres. Não pela maneira que a velha senhora respondia para ele.
Na minha frente um furacão, turbulência desajeitada dos braços em frenesi de Morgana falando junto com a boca. O tempo de trégua era o pedaço de cheeseburguer abocanhado e torturado com todo o direito pela boca incessante.