terça-feira, 23 de março de 2010

clima intenso

O céu aberto, ou carregado de prontas torrentes
a desabar, bárbaras
e rápidamente água excludente
me torna um desabrigado.
não sei onde moro com tantos cigarros.
mar de fumaça dentro dum carro, vidro
vive embaçado.
esperei seco você sair do dilúvio,
andava como se fosse eflúvio,
doce paço, teu rosto baço.
entrou molhado
me dei-
xou flui-
do

quarta-feira, 17 de março de 2010

briga e paixão

Minha mão ardeu. A palma da minha mão ainda ardia mesmo depois do terceiro cigarro seguido.
Houve, então, a loira e suas satisfações com o dedo na minha cara, as quais não atendia, e me atrevi de bêbado, ainda por cima, a tentar morder aquele dedo cheio de desdém e ódio balançando perante minha boca. Para minha maior indigestão eu consegui, e sangrou. Primeiro o tapa, agora o sangue louro entre os dentes. A infelicidade maior foi experimentar o banho de whisky cowboy, vindo da amiga da amiga. Aquele cheiro de álcool barato impregnando a minha roupa. Já não bastava o cigarro e aquelas gotinhas de sangue?
Me retiravam do bar por quebrar aquele dedinho com pelinhos loiros, e você ali, parado como se me esperasse. O som da ambulância ia se distanciando, e em mim fervia o desejo crescente de esmagar sua boca. Tão. Perfeitamente. Delineada.

sábado, 13 de março de 2010

noite de sábado

Após ser indagado por diversos convites
resolvi roscar entre travesseiros
assintindo a Rivette, enquanto
lavava os lençóis que
aguardam até amanhã de manhã
limpos sua chegada.

sexta-feira, 5 de março de 2010

tempo louco

de tão intimos que estávamos,
céu e eu, jogamos antigas brincadeiras
de uma época inocente, humor
de um seguido
o outro, céu
sente como eu sinto,
quem é mestre segue
ou eu sigo, o céu
ao seu lado somos radiante,
mas à noite, como ele,
desaguo.