quinta-feira, 25 de novembro de 2010

dentro

cumpri os seus caprichos
teus desejos
fiz tudo que você pede.
não é uma questão de ajuda
agora você sangra,
mas dói em mim.

queria te despir para ver se eu conseguia te tirar de ti.
te quero fora, longe.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

miolo

A grama está alta, estava úmida da noite. Fui de pés descalços até o carro, minha mão estava sobre o volante sem muita vontade, as chaves jogadas no banco ao lado, Larry dormindo no banco de trás com as pernas atravessando janela. Voltei, trago travesseiros, havia deixado a chave do carro na cozinha, e comigo chave da moto. Apesar dos paralelepípedos e da areia abundante vinda da praia, fui com a moto, sem Larry, sem travesseiros, sem carro. Ao virar o quarteirão, desci da moto e a empurrei com os braços, o paralelepípedo um pouco úmido, gelado, mas a areia era só nojenta, mas era mais silêncio. Da frente da sua casa, barulho de água, alguém explodindo dentro da piscina. Uma voz, duas, a água, talvez estivessem os três.
Uhuuuuuuuu! Gritos femininos. Portão rangendo, a grama curta, pela janela sua mãe sorri. Ela sempre acorda antes do dia. Contorno pelo lado esquerdo, espio você saindo da piscina. Pingando toda a lage da piscina. A essa hora deve estar frio. Resolvo voltar, ligo a moto, e não vou. Em pouco tempo o ronco te atrai, te vejo pelo espelho. Desligo o barulho. Você pingando sai do meu campo, o portão de novo, os seus passos mais próximos. O meu braço, está gelado, enquanto seus dedos deslizam, seguro-os. Seus dedos resolvem molhar meus cabelos, me viro, você percebe que eu quase choro. Ao te ver são meus olhos que estão pingando.

domingo, 14 de novembro de 2010

negar o jogo

Toda a sorte das ofensas pronunciadas
pelas bocas desgostosas, todo um rol
indesejável de palavras e sentenças
a chuva de flechas de um arqueiro inábil,
atingido sem guarda-escudos com brasões
familiares, nomes distintos europeus não protegem.
distância eu ofereço, sem preço a te mostrar
ainda atingido, porém intacto, no bruises mein freund
poderia ser até em alemão com sua fonética áspera.
Mesmo então, assim, diante de ti e tua muralha que me depreciam,
me calo te olhando sem parar nunquinha.
e já faz tempo
pássaro lá do alto, silencia

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

troquei de idéia

Desabrochou como nova e genial, luminosa com a opacidade da lâmpada.
assim como a flor, os felinos são uma velha obsessão.
chega a hora de assumir (somente a mim mesmo)
o desfacelamento da visão amada da morte para
confeitar o vermelho dilacerante
rasgo em teu peito

chão é limpo, e me entretenho há tempos em
encardidos detalhes, esse fio que percorre a casa
a pequena casa de verão, ocupada agora
por insetos de vida primaveril.
prima verano, faz quente e frio, ausência de luz bonita no outono. Aprendi a reclamar de qualquer coisa que aconteça em cada estação. Bichos, calor excessivo, todas as estações no mesmo dia, frio com vento.
alguém desata a falar, por vinte minutos
sozinho
na sala,
no frio de um canto o fio se enrola,
bracura depois de horas. na base do enforcamento
a morte seca
mariposas pela casa.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Resumo

chicletes efervecentes, o sol queimando o rosto
o jeans assando as coxas.
o tempo mal calculado, deixar
recados foi um plano falhado
no tribunal um certo desconforto, sequência
inúmeros corredores, descubro uma pechincha
velhaca, só noto após regressado.
o queijo tem mofo

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

lágrimas secas

chorei sozinho.
desejo de estar diante de ti.
me acalmei, terminei o chá
não fui andar, dormência nos pés do arauto
sem fala, nem rumo
sem notícias da rainha.
cai soldado, batatas da perna na terra, seca
sol os olhos

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Sem Fá nem Ré

Não resisti à luz que se punha. Sentei, impaciente, cansado, miserável. Quanta infantilidade existiu em apenas dois dias, voltei aos tempos púrpureos de adolescência. Não fiz nada e não parei o dia inteiro, você me martelando a cabeça, ou poderia ser eu mesmo, cortando meu peito, sem sair nada de dentro. Sem sair nada de mim.
um SOL lindo La fora, e eu MI matando aqui. que DÓ o ver com pena de SI.
Não corro o risco pelas paredes da Casa, mantenho em branco qualquer chance.