terça-feira, 21 de dezembro de 2010

sobre meninos que anunciam os lobos

As irritações sempre pela noite, ou a futilidade quase sempre ao meio-dia. Deixar ceder.
Insistência desde o começo. Percebe quem pode, nunca pude, será que vou? Os prazeres pequenos que não tinha, a atenção fiel de um cachorro, a atenção desleixada de um gatinho manhoso.
Delírio de febre. O ciúme aquece qualquer doença.
Obsessão dos que tem bem pouco. Muito pouco. Dos que se contentam com migalhas, e que não sabem cuidar das coisas, porque nunca foi preciso cuidar, só persuadir e ceder à insistência.
Pode anunciar o lobo que vem. É a sua maneira desleixada de brincar, como você retribui o modo desatento como sempre te trataram e que você trocava por pequenos prazeres. Promessas com base de pó. Não volúvel, nem volátil, mas disperso. Dislexo. Ou só tolo, desde o começo.
Pode anunciar. O lobu, o cansser, as doris. É seu delírio obsessivo. Já sei como posso. Não tão cedo como eu gostaria, eu não cedo. Diante dos outros.
Não tenho medo, só estou mais duro. Não danço mais tão leve quanto antes.
Não há febre do delírio da dança.
Abandonei, apunhalei, mandei-lhe uma sorte de palavras cruas. Sem prazer em fazê-lo. Sem regrets. E de olhos abertos. Essa metade meio suja se vai! Posso ver aqui de cima da torre. Vai com o vento. Mas tem uma sujeira que fica, e arde no fogo, pois não esqueço e não sou tão inocente. Mesmo acreditando que é possível.

Aos lobos anunciados, nem me preocupo. Tenho a minha torre, posso conferir.
Se por acaso os lobos chegarem. Não dou bola. Sou arrogante, sou tigre, não danço com tolos.

27

Alguém proclamou. O começo é sempre o mais difícil,
depois toma corpo, a coisa flui.
Entendi como um "fica fácil".
Engano.
No dia em que o número de páginas e qualidade foram altos,
acreditei nesse engano fluido da escrita.
Dormir, ligar o editor de texto e me deparar com tudo aquilo que falta...
Seria um novo começo?
Cadê o corpo?
Nada flui
Só estanca, a cada palavra.
Anuncio o fim
só por anunciar.