domingo, 23 de janeiro de 2011

Um Senhor gole de Veneno

Após,
uma espera intolerável
que inunda esperança quando se dá o leve toque .
e um arrependimento tardio irrompe a todo custo
a toda hora, sou
uma desgraça.
faz-se necessária a maior dose
no ensejo
muito despojamento
coragem com tamanho veneno em veias escuras pela pele branca.
só assim
é menos lenta essa dor
amor-te.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

sem doar as palavras

esboçada a conversa
tola e pesqueira
olhos batem
e desviam ou
batem de esguelha
durante a noite inteira
um autochoque que fatiga.
deu um minuto, a partida
ninguém bate
desliza.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

casa nova

Produzo tanto
tanto lixo.
limpeza alegre dos pertences
da sala da cozinha
duma área bem pequenininha,
ou aprender uma aria, limpeza musical
dos pertences dos pais
das memórias infantis que me desfaço aos poucos.
e dessa vez foi muito,
bom se livrar das tranqueiras paternas.
a vida da minha mãe escutando os vinis do ivan
agora lá embaixo, todos os domingos de manhã.
o corredor fechado para não acordar as crianças.
era o primeiro, cedo
tem sido difícil, causa
noite a dentro de mim.
Falou hoje, comentou da limpeza.
ela não entende, não há mais a casa
voz triste, dói tanto perder a casa
ao poucos
uma enxurrada
de lixo. metais
barulhentos, madeiras
pintadas,
tudo abaixo.
caixa de bebida vazia
apesar da limpeza, veneno reina a cozinha, forte e se esvai com vento.
o corredor fechado para não enfeitiçar as crianças.
Ventila as dores pela cozinha, cozinha
quarto, sala, perto da janela
raminhos de arruda:
proteção doméstica que aprendemos com ela.