quarta-feira, 30 de março de 2011

#01

Você pode bem dizer, que
eu comi chocolate em excessos, e que as paredes
necessitam urgentes da pintura, e que no
chão abunda poeiras irritantes, e que meu pés
gelam insistentes a cama, e que serão
tantos vasos de hortelã que eu vou deixar
morrer e que as palavras me ferem e que eu sujo
tuas roupas não lavo as frutas, e que eu deixo
casca voluntariamente no seu ovo.
Aí, você vai se encontrar com alguém
e dizer, que
eu estava no chão que
eu não falava nada que
eu não olhei sem
que eu não ia
que eu sou
eu não entendia
que fiquei mudo
que eu
te machuquei

#ao meio

Um dia de vento forte. Sempre há vento por aqui. O dia começou como um outro qualquer, a maioria das vezes é assim, nunca se sabe o quão importante o dia será. Eu estava lá, ela junto, mesmo que afastados. Não havia mais ninguém. Por causa do vento as pessoas fogem para onde se pode aproveitar melhor, porém nós nunca nos importamos. Era gostoso mesmo toda a areia ficar presa no cabelo, era doído e corrosivo, mas, assim, bem pouquinho, então parecia nos pertencer, a base desse arranhão carinhoso de areia vento. Nesse dia, sim, o vento tinha força, parecia revigorado. Não sei se era eu, sentia o vento faceiro, roçando brutalidade de uma alegria infante, vento, o jovem deus. Em sua companhia, aventurávamos ela e eu, todos aqueles dias de verão. Não tenho lembrança das chuvas, uma nuvem no céu nunca era bem vinda, o vento, como um belo amigo, a levava embora, foi uma estação ombrofóbica.
Foi num dia de ondas altas. Nunca há ondas por aqui. Pisamos na praia como um dia qualquer. Apesar de todo espanto visível em nossos rostos, não dissemos nada. O mar calmo de sempre, a piscina salgada e fria, naquele dia parecia um turbilhão

quinta-feira, 24 de março de 2011

quando os hiatos ocorrem

Alguém me contou que o outono chegava hoje.
Imaginei que olhavas para mim, e uma palavra
simples foi dita,
ditado escolar para saber diferenças gramaticais,
conjuntos complexos de ortografia, avança agudo
com regras condutas, anexos excedentes e
alguém me falou que outono chegara há dois dias,
é assim, por bel prazer que modifica
a ciência, as grafias calendaristas
como a verdade refeita, por descobertas.
e com tarjetas pretas alocadas em negativista
plutão deixa a turma dos planetas, teu primo pobre oh
lua que ainda, sendo louca, pode criar o teu mundo
que é meu também.
Tu não me olhavas e eu senti
que ias falar que o verão já se fora,
eu quis chorar, mas escondi
por esse medo dessa distância
de você não me tocar.
Envergonhado, esperei silêncioso
não caia folha, e pensei talvez
dois dias fosse o limbo sem qualquer estação,
era cedo, chove e permanece quente.
Imaginei que me olhavas quando soltei
uma palavra de fonética simples, a voz
tão pesada quanto quaisquer dizeres complexos.

terça-feira, 8 de março de 2011

depois daquele

das mazelas de um amor que não corresponde
um traço vertical pinga
inflige danos à garganta,
não caio, não bato, só sangro
uso ataduras sujas d'outros sonhos.
eu pulo, eu me gasto
eu bebo, eu canso de
prenteciosas vocações banais,
como a falta de
dor e de encanto.
são poucos encontrados, sou
louco, inchado, todos
quietos na cama sem amassos.
pode levar ou estraga, estou molhado,
estou na chuva para... estava na chuva e
você para.
esta chuva já cessou de ser para se molhar.
Se o que sai é sol
dispo-me de seus resquícios ainda úmidos
desejo que só que arde queima atiça.
Você ainda molha as ruas, e eu
ainda posso sair sem guarda-chuvas.