domingo, 28 de agosto de 2011

I don't wanna be friends

Esse modo de querer para si tudo que não vai lhe pertencer, de achar que somos coisas, que somos seus, suas coisas. Esse modo de me envolver nos seus braços como se eu alguma vez tivesse lhe pertencido como uma propriedade sua de direito, e que ainda a fosse. Ou que a reconquista faça parte dessa ordem barata, canhestra e calhorda das suas palavras sujas e mal escritas. Não é porque você se repete, estagnado em seus pensamentos mesquinhos, que eu preciso também repetir a exaustão as palavras violentas. Já lhe disse.
Não vim aqui dançar contigo.

sábado, 20 de agosto de 2011

#3

  Aquilo que disseste ao pé do ouvido. Oferecias recanto, meu rubor se fez passar por todo rosto, sorriso escondido. Recanto de calor e perfumes. Teu cheiro pertinho tinha dificuldade de ultrapassar esses pingos de chuva, as fumaças de tantos cigarros, o álcool barato que me ajudava a ruborizar. Eu disse não àquilo. Mesmo do júbilo de me sentir mais quente e de sentir próximo o aroma impregnado, o qual teu corpo exala, exílio em mim. Deixaram a impressão, a sua respiração quente, meu rubor e seu toque sutil de ar e palavras, do frio que passou. Tremiam minha pernas por algo louco, que nem sei imaginar. Não de frio. Por um breve momento esqueci por completo o que era o inverno, o escuro, a noite, ou melhor, a noite sem lua.
  Ainda te sentia, fingi não acreditar que era possível atravessar horizonte feito só de neblina, o alvéolo protetor dos tolos que garantiria a sua estadia por perto. Há urgência de ti cada a passo dado, minuto passado, passo e repasso ao lado dos rostos baços, onde está o teu? Lívido pela quentura própria. Líquido para me deixar corado. Em outros braços, foram outras que me aqueceram em abraços longos, pude me alongar em procura, com a vontade no corpo acesa. Ali, aqui, por lá, cá, faço um volteio. Volta e meia e me perco. Alçado num pensado da chuva, no banho em porto alegre, os pés molhados em são paulo, o frio de curitiba, a torrente de vento em nossa senhora do desterro, ressaca à beira mar no rio; a chuva com os murais das cidades. Um passo em falso e me encontras em paço falso. Me cortejas. Então como se vestisse um manto, ando majestoso, e ninguém me vê, só teus olhos me acompanham.
Sou o dono do mundo.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

falta alguém

Tento manter uma alimentação correta, não restrita, só estou a evitar os exageros. Tento manter uma linha, ainda que sinuosa, na qual peçados de pizzas são sempre bem-vindos. Sei da necessidade dos cuidados com o corpo, subo escadas quando posso e prefiro caminhar distâncias a percorrê-las de carro. Com alguns invernos, aprendi a proteger a garganta e por meias nos pés para dormir.
Tal cuidado com o corpo, porém, não se trata de bem estar, geração saúde, bom-mocismo. Protejo com alguns prazeres, pois as dores atacam forte o peito. Uma tensão aqui, um repuxo ali, não há como se livrar de apertos quando ouço sua voz ao telefone, ou até quando a imagino. Se você me escreve, é uma ferida que abre, suas palavras me passam através, me traspassam. De outra forma são as palavras dela que alargam a ferida. Ou telefonema de um outro que ao acabar projeta a dor pelo corpo inteiro. Ou uma outra que me dá um almoço, um passeio no parque, água, sorvete e bolo quente, para então sair correndo depois de nosso abraço. Ou as feridas que eu inflijo. Todos vocês, ao longem, fazem crescer pescoço acima ramificações mínimas que se espalham pelos canais, nos quais folhas nascem pequenas para todas as noites recolherem o orvalho salgado(não é a toa que eu presto muita atenção na quantidade de sódio de alimentos industrializados).