quarta-feira, 18 de abril de 2012

perdu

     Me perdi pensando numas fotos suas. Achei que eu também estava em Paris e achei que tu ainda estivesses por lá, e que em muito breve iriamos nos encontrar au parc de belleville, e eu torcia de modo brando que tu viesses com a mesma camisa que usastes na foto, e eu sorria sonhando essa foto e essa camisa que eu te dei de natal. Achei mesmo que tu virias, quando pensava que tu estarias em algum banco sentado de forma preguiçosa, com uma careta no rosto exclamando chistoso, quanto sol que tem o dia, mas não, deparei com uma praia nublada da costa da Virginia, você de sunga e um branco de doer os olhos. Saí dessa confusão de Paris, e me dei conta que meu quarto não é nenhum lugar além do meu quarto, embora mesmo assim ele guarde boa parte da costa da Virgínia nessa caixa de sapato quase tão velha quanto as fotos, a caixa de um all star já totalmente gasto. Você não costuma guardar velhos sapatos. De que adianta se eles não lembram os lugares que você passou, e foram tantos. Nesse meu amor louco imprimi todas suas fotos, um viva às promoções das compras coletivas. Eu também acho que eu perdi algumas fotos, embora não faça falta na sua vida. Coleto tudo apesar dessa perda. Bem no fundo eu não me engano. Quanto mais te perco, mais eu ganho.