sexta-feira, 18 de maio de 2012

Aproveite a escrita no limbo

A memória dos sonhos é um exercício. Acompanha, lógico, outros tipos de esforços, e há algo bem mais desafiador nisso tudo. Quase todas as noite eu acordo no meio do sonho e sei que estou sonhando, bom às vezes eu demoro para assimilar, mas geralmente eu sei.  Com uma vontade imensa de se virar e voltar a dormir, eu tento repassar na cabeça aquelas imagens para poder lembrar mais tarde, quando eu estiver acordado, quando eu estiver fora do limbo da minha cama e do outro mundo. Erro grave. Eu deveria pegar o bloco de notas e o lápis que sempre deixo ao alcance das mãos e escrever. O sono quase sempre vence. Uso algumas desculpas, contudose sabe muito bem que o discurso mea culpa não justifica nada. Algumas manhãs iluminadas de sol lindo e radiante e céu azul, eu levanto e lembro, nunca tudo, mas alguma parte, alguma imagem e parte da situação. Desses é mais ou menos assim, coreografia num gramado um pouco acima da estrada estadual; o centro de floripa é ao mesmo tempo a matrix e o mundo real; num calabouço há uma gaiola gigante enferrujada, escada em espiral seguindo a parede, vermelho terroso e preto; metrô, aeroporto parecido com o metrô, carrinho de montanha-russa dentro do metrô (o carro não para e cai num abismo), metrô com tal pessoa, metrô com xis pessoa; video de gêmeas fantasiadas de smurfs. Outro permanecem límpidos: Britney-Diabo; as ruas imaginárias do centro de floripa, os morros imaginários de porto alegre, a ufsc imaginária; a gravação do filme do Godard que ao mesmo tempo é o filme, um plano-sequência dentro de um carro que percorre uma rua, enquanto casa rurais do estados unidos e barns são implodidos (imagina se o plano dá errado). Há os constrangedores e há aquelas anotações que eu leio e não encontro resquício algum da imagem do sonho. A escrita não acompanha o sonho; é quase como me esquecer dos sonhos, da escrita.