segunda-feira, 5 de agosto de 2013

#7

Minha vontade é a palma da minha mão esfacelando a tua bochecha. Ah o tapa, o estalo, e ver a cor te recompor a pele e a sanidade. Por favor, pare de me jogar esses apuros de falta da caso, de cansaço demasiado e falta de interesse, poupe o meu tempo das articulações mesquinhas do seu desejo de estar sozinho. Sei que o meu toque já te muda de ideia. Sei que um tabefe já te põe pronto. Sei que tu investe mais em imagem do som. E esse estalido surdo, e tudo muda, a tua face, lívida, pronta para vingança, pronta para o canto. Tu olhas para baixo por um tempo longo, um tempo mudo, então me encara. Um lado mais vermelho que o outro, e o teu olhar é mais violento do que eu jamais vou conseguir ser. E agora sou eu que devo apanhar. Eu me desvio e desviro e deslizo, quero escapar. Assim como tu, não quero me lograr espinhos, ou me cercar para o choque. É que depois deste abalo há o devir, e o furacão nos deixa ainda mais tonto, porque eu te encontrei bêbado, e ainda eram quatro da tarde. E ainda tu se fazia de difícil, porque tu queres que eu dê corda para tu acordares e despertares em mim toda a submissão de um teatro autorizado. Tu gostas que eu finja que não gosto. Ah o prazer, e estais bêbado a sussurrar todo o tipo de ordem em palavras chulas, e eu finjo que gosto, mas me enojo, e te bato outra vez, tão forte que tu te curvas ao chão e demoras para subir, sóbrio, e beijas e me arranhas e me jogas longe. Eu choro um pouquinho. Pro teatro de não gostar te excite ainda mais, e quem sabe eu ainda apanhe por um bom tempo, antes de querer levantar a mão de volta ao teu rosto. E quem sabe tu não percas um dente. Aí poderemos se beijar, e vou colocar a língua no espaço banguela do teu sorriso, que ainda está a jorrar sangue, para finalmente tu morderes com toda a força a minha língua, assim aos poucos a gente vai se despedaçando, se colecionando, se amando de prazer e dor.

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